Então, ainda não escrevi nada nesse Caos. Afinal, estava mais dentro dele no cotidiano da militância, nas correrias loucas, mas enfim, como ninguém ainda escreveu, penso que por falta de tempo, escreverei sobre a última semana em que nós estivemos todos envolvidos e engajados na luta contra o vestibular unificado.
O desabafo vai ser longo, mas vale a pena a leitura!
Desde o dia 25 de março desse ano em que o ministro da educação anunciou outro decreto do governo federal, o vestibular unificado, não se fala em outra coisa a não ser nisso. Entretanto, não é meu objetivo aqui explicar exatamente os detalhes estúpidos dessa nova forma de vestibular, que excluirá, ainda mais os jovens pobres e estudantes de escola pública, do que o atual modelo, que já é muito excludente.
O DCE junto com a ADUFMAT chamou discussões com a comunidade acadêmica para discutir tal tema. Nas discussões em que a reitora da UFMT, Maria Lúcia participou, foi evidente que a mesma defende com unhas e dentes tal modelo de vestibular, reproduzindo em suas falas o discurso do governo federal. Nós também intervimos, alertando para as conseqüências desse novo vestibular, que quer “amaciar” o povo, para umas das medidas do REUNI que é os cursos por áreas. (Aberração!!)
Nós ( do ME de luta e combativo) conseguimos realizar algumas discussões fora da academia sobre esse assunto, esclarecendo que o vestibular unificado, não é o fim do vestibular, muito ao contrário! Professores como o Robertinho, Sirlei, Alair e Juacy colaboraram muito para que houvesse uma conscientização dos secundaristas, que compareceram nos dois atos de ocupação da reitoria em peso e conscientes da sua responsabilidade social em lutar contra isso.
No primeiro dia do ato, ao chegar junto com os estudantes do Liceu Cuiabano, vi uma das coisas mais bizarras que, ainda na prática não tinha visto: A UNE e a UBES clamando pela adesão desse vestibular. O pior estava com cerca de 4 ônibus (da satélite, executivos e diga-se de passagem bem caros) lotados de estudantes, que foram manipulados, e usados como massa de manobra para repetir os clamores que a direção dessas entidades (Rarikan e Pablo) exaltava!
Fiquei realmente assustada, vendo que ali haviam estudante até de 7° série, perguntei a um dos jovens o que ele fazia ali, se ele sabia o que era vestibular unificado. Ele me respondeu: “vixi, tia nem sei quê que é isso, só sei que parou um busão em frente a minha escola e falaram pra nóis que ia ter uma palestra, daí nóis entramo no busão, e viemos. Até deram pão com mortaNdela pra gente, rsrss”.!!??
Gente nesse momento minha vontade foi sentar no chão e chorar, mas não, levantei minha cabeça e me juntei com os estudantes, na luta gritanto: “Sem discussão, não à adesão!”
Dentro da reitoria, éramos mais de 400 estudantes, pingando de suor, resistindo ao cansaço físico e gritanto palavras de ordens, que soavam para mim, como um clamor de indignação, era o povo ali, minha gente, consciente e na luta. Foi Lindo de ver.
Foi revoltante ver como a UNE e a UBES (suas direções) estão vendidas ao governo federal, e atreladas aos partidos políticos. Mas isso deu gás pra gente continuar na luta, construindo a UNE pela base! E agora, uma possível construção da UBES pela base. Ao mesmo tempo isso foi importante, pois escancarou a atuação política dessas entidades, ao menos para os estudantes que ali estavam, que viram na prática que a UNE e a UBES defende, e em nome de quem falam!
Foram dois dias de ocupação e os estudantes – resistiram a tudo, chuva, calor, pressão dos seguranças – gritando e se fazendo ouvir pela opinião pública, dizendo NÃO ao vestibular unificado.
Mesmo com toda essa mobilização a reitora, Maria Lúcia, agiu ditatorialmente aderindo ao vestibular unificado e falando na TV que “a maioria dos estudantes estava a favor e que esse vestibular unificado iria permitir ao filho do trabalhador, entrar no ensino superior.” MENTIRA DESLAVADA! E quero frisar que ao lado dela nas imagens estavam os diretores da UNE e da UBES e mais alguns militantes da UJS, representando novamente, os interesses do governo federal em destruir o ensino público nesse país!
Foi ilegítima essa atitude de aderir a um modelo de vestibular, via telefone, e sem consultar todos os conselheiros. Conselho, inclusive, que por si só já é antidemocrático, no qual dos 46 conselheiros, apenas 3 são estudantes.
Agora segue na justiça a liminar contra isso, e vamos continuar agindo e esperar os resultados.
Assim camaradas, Da luta do povo, ninguém se cansa! Essa reitora entrou numa briga feia com o ME, e agora e força na luta porque ela vem aí querendo privatizar o nosso R.U.
Chegou o momento de radicalizar e evitar que ela passe o trator na gente. E para isso precisamos nos organizar e correr atrás, mesmo com as dificuldades e as perseguições que ela vem nos fazendo por meio de seus capachos.
DEMOCRACIA EU QUERO VER! CHEGA DE GOLPE NA UFMT!

Plenária durante a ocupação.